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Criando o Meio da História – Ato 2

Após examinarmos mais de perto o Ato 1, vamos agora ver como construir o segundo Ato.
O Ato 2 tem a função de aumentar a tensão, manter o leitor preocupado e encaminhá-lo para o Ato 3.
James Scott Bell, no livro Write Great Fiction – Plot & Structure, cita alguns elementos importantes para a construção desse Meio do livro.

Morte
A maioria das ficções possuem a morte pairando sobre o protagonista. Pode ser uma morte física, psicológica, profissional.
A morte psicológica costuma estar diretamente relacionada ao objetivo do protagonista. Quando esse objetivo é crucial para a sua felicidade, você pode prever uma morte psicológica caso ele falhe.
A morte profissional costuma estar relacionada ao dever do personagem, e muitas vezes as crises que acontecem quando esse dever não é exatamente o que o personagem considera certo.

Oposição
A oposição muitas vezes é o vilão da história, mas nem sempre. Ela é alguém que quer parar o personagem, mas não é necessariamente alguém mal.
Algumas formas de deixar essa oposição mais interessante são:
– Fazer dela uma pessoa. (É possível fazer uma oposição não pessoal, como por exemplo uma floresta onde o personagem se perdeu, mas é recomendado deixar isso para os escritores mais experientes.)
– Se for um grupo de pessoas, escolha um líder para personificar essa oposição.
– Faça dela mais forte que o protagonista. Afinal, se ela puder ser derrotada facilmente, porque o leitor vai se preocupar?
– Dê uma visão empática para essa oposição. um motivo para gostar dela.
– Aderência
Mais um ingrediente crucial para o confronto. O personagem não pode simplesmente se desviar da oposição e continuar a seguir seu objetivo. Aderência são circunstâncias ou relacionamentos fortes que mantém pessoas juntas. Você precisa escolher um objetivo essencial para o protagonista e uma razão igualmente válida para o antagonista. Você precisa de um motivo para o protagonista não poder simplesmente desistir. Se tiver dúvidas sobre como construir essa aderência, aqui vão algumas dicas:
– Vida e morte. Se o antagonista tiver força e motivo suficientes para matar o protagonista você tem essa aderência. Manter-se vivo é essencial.
– Dever profissional. Policiais ou advogados, por exemplo, não podem simplesmente desistir no meio de um caso.
– Dever moral. Se, por exemplo, uma criança é sequestrada, a mãe não pode simplesmente deixar para lá.
– Obsessão.
– O ambiente físico pode forçar os oponentes a ficarem juntos.

Preparação para o Confronto
Ação, Reação, Mais ação (ARM). Isso é fundamental para manter o ritmo da história. O enredo é resultado de um personagem fazendo alguma coisa. Tentando alcançar um objetivo. Essa ação precisa ser antagonizada ou será maçante.

Mantendo o leitor interessado
Então, como manter o leitor interessado nessa série de ação, reação, mais ação, durante a metade, ou mais, do seu livro?
– Alongando a tensão. Tensão é uma das formas mais eficientes de manter o leitor virando as páginas, perdendo sono e comprando mais livros.
– Estabelecendo a tensão. Antes de mais nada você precisa de um problema. Algo que possa machucar seriamente o protagonista. E tenha sempre certeza que as cenas de tensão tenham motivo para serem tensas.
– Alongando o perigo. Cenas de perigo físico podem ser descritas devagar, passo a passo, como se estivessem em slow motion. Intercale ação, pensamentos, diálogos e descrições.
– Alongando as emoções. Quando um personagem estiver em meio a um tumulto emocional, não facilite as coisas para ele. Dê ao seu leitor o show completo.
– Alongue o Grande e o Pequeno. É importante, para aumentar a tensão, estender os maus momentos dos personagens, sejam eles grandiosos ou insignificantes para quem está de fora.
Uma boa dica é esticar as cenas ao máximo no primeiro rascunho, e na revisão você decide o que deve ser cortado.

Estabelecendo os desastres
Como já dissemos no post anterior sobre enredo, o personagem precisa resolver seus problemas, e então um ainda maior deve surgir. Esses problemas (ou desastres) podem ser relativos ao enredo, ao personagem ou a sociedade.
Desastres de enredo – É algo que ameaça o personagem por fora. Geralmente na forma de outra pessoa tentando causar danos ao personagem. Assim, quando o personagem conseguir lidar com aquilo algo pior acontecerá. Por exemplo, quando ele finalmente escapa de um antagonista a polícia toda se coloca contra ele.
Desastres com o personagem – São desastres psicológicos que acontecem com o personagem. O mundo interior é uma oportunidade para o escritor adicionar mais profundidade à história. Um bom exemplo disso é do romance Beneath a Southern Sky, de Deborah Raney, no qual um viúva se casa novamente, engravida e está tendo um casamento feliz quando descobre que seu falecido marido ainda está vivo.
Desastres sociais – Quando algo de muito grande acontece na sociedade isso afeta a vida dos personagens. Como lidar, por exemplo, com seus problemas amorosos, quando seu país entra em guerra?

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Sobre Carolina

Carolina
Apaixonada por livros, estudante de Letras e escritora em treinamento.

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