Home / Ficção / Criação de Personagens – Mecanismos de Defesa

Criação de Personagens – Mecanismos de Defesa

Uma das tarefas mais difíceis de um escritor é criar personagens autênticos. Um bom personagem, assim como uma pessoa real, age a maior para do tempo dentro de um padrão de comportamento, porém também pode surpreender. E é importante que quando o personagem surpreender o leitor, ele ache que mesmo essa atitude fora do padrão foi algo que o personagem faria, e não algo forçado para fazer o livro ir para onde o escritor queria.
Para isso, um bom conhecimento de psicologia sempre pode ajudar ao escritor. Mas se você não tem tempo ou interesse de estudar profundamente sobre a psicologia humana, há ótimos livros voltados para escritores de autores que fizeram esse trabalho para você. Um desses livros é “How To Diagnose Your Character: Using Psychology To Create an In-Depth Character” do Joshua Hoyt, que contém várias dicas interessantes para criar personagens que se pareçam com pessoas reais. Nesse post vamos falar sobre os famosos Mecanismos de Defesa.
Mecanismos de Defesa são formas que nossa mente tem de lidar com situações difíceis. Segundo Jushua, há 4 tipos de mecanismo, que podem ser considerados níveis:
– Patológico: são mecanismos que levam a pessoa para fora da realidade. É o mais usado por pessoas insanas.
– Imaturo: embora normal em crianças e adolescentes, não é bem visto em pessoas adultas.
– Neurótico: comum em adultos, costuma ajudar a pessoa a lidar com o problema a curto prazo, mas causa problemas em longo prazo.
– Maduro: o mecanismo usado por adultos fortes e saudáveis, os ajuda a resolver os problemas a curto e longo prazo.

Uma forma interessante de desenvolver o personagem é justamente fazer com que suas reações avancem através dos níveis, amadurecendo assim o personagem.
A seguir temos um breve resumo dos mecanismos mais comuns em cada nível. Caso se interesse pelo assunto e deseje utilizá-lo vale a pena uma pesquisa mais profunda sobre cada um dele.


Mecanismos de Defesa Patológicos
– Projeções delirantes: a pessoa se apega a crenças falsas não importa o que aconteça.
– Negação: recusa em acreditar em uma realidade externa.
– Distorção: a reformulação de estímulos externos para que se encaixem a uma realidade interna.
– Divisão: a pessoa vê o mundo em extremos (preto e branco, bom e mal) e não como um contínuo.

Mecanismos de Defesa Imaturos
– Birra: a pessoa age de forma inconsequente para conseguir o que quer.
– Fantasia: quando a pessoa entra em um mundo de fantasia para lidar com os problemas.
– Idealização: quando se vê os outros melhores do que são.
– Passivo-agressivo: a pessoa parece gentil e doce, mas expressa sua agressão de formas sutis.
– Projeção: quando a pessoa toma os sentimentos e pensamentos de outra pessoa como sendo seus.
– Identificação projetiva: quando a pessoa projeta seus sentimentos, pensamentos e comportamentos em outra pessoa.
– Somatização: a pessoa não expressa os sentimentos negativos sobre outro de forma saudável o que causa ansiedade, dor.


Mecanismos de Defesa Neuróticos
– Deslocamento: mudar a raiva que se sente por alguém ou algo para outra pessoa ou objeto.
– Dissociação: evitar coisas (físicas ou emocionais) que causem stress ou disconforto.
– Hipocondria: a preocupação excessiva com problemas de saúde.
– Intelectualização: o foco apenas em fatos, se distanciando dos aspectos emocionais da situação.
– Isolamento: separar sentimentos de ideias e eventos que aconteceram, para não se magoar mais com eles.
– Racionalização: criação de razões e motivos para o seu comportamento impróprio, tirando a culpa de si.
– Formação de reação: fingir acreditar em coisas diferentes do que realmente se acredita, pois suas reais crenças causam ansiedade.
– Regressão: retornar temporariamente ao estado infantil para lidar com situações de stress.
– Repressão: esquecer ou reprimir uma situação ocorrida, porém os sentimentos continuam existindo.
– Retirada: retirar-se de situações ou estímulos que causam sentimentos e pensamentos negativos.


Mecanismos de Defesa Maduros
– Altruísmo: deixar seus problemas de lado para ajudar aos outros.
– Antecipação: se planejar de forma realista para futuros desconfortos.
– Humor: transformar dificuldades em momentos engraçados.
– Identificação: emular outra pessoa (de forma contida) com relação a atitudes e sentimentos positivos.
– Introjeção: se identificar tanto com uma ideia que ela passa a fazer parte de você.
– Sublimação: mudar sentimentos negativos para instintos positivos.
– Supressão de pensamentos: atrasar uma necessidade ou sentimento que o distraia da situação atual para um momento em que você possa lidar com eles.

Lembrando que isso são apenas mini resumos, apenas para você ter uma ideia do mecanismos para usá-los nos seus personagens, e não um real estudo de psicologia.
Em breve teremos mais ideias de como usar a psicologia para enriquecer os personagens.

Compartilhe!
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Sobre Carolina

Carolina
Apaixonada por livros, estudante de Letras e escritora em treinamento.

Check Also

hqdefault

Erros mais comuns: como não usar rótulos de falas e marcadores de ação

Não prejudique a graciosidade dos diálogos dos seus personagens com erros de pontuação ou estilo. ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Menu Title