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Criação de Personagem – As fases de desenvolvimento

O psicoanalista e psicólogo comportamental Erik Erikson desenvolveu, a partir da teoria dos estágios de Freud uma nova e mais completa teoria sobre os estágios do desenvolvimento humano, que pode ser bastante útil, especialmente quando estamos lidando com personagens crianças ou adolescentes.
Muitos escritores, quando criam personagens jovens, acabam esquecendo de suas especificidades e criando nada mais que adultos em miniatura. Mesmo para personagens já adultos, a história da infância da personagem faz muita diferença na personalidade adulta dela, e é interessante conhecer fatores que podem gerar traumas ou que podem construir adultos saudáveis.
Usar os oito estágios do desenvolvimento pode ajudar a criar personagens mais realistas. Cada um dos estágios é composto por uma oposição, uma espécie de crise de identidade, entre algo ‘bom’ e algo ‘ruim’.


Primeiro estágio: confiança x desconfiança (do nascimento até aproximadamente 1 ano de idade). Os bebês dependem dos pais para suprir suas necessidades de alimentos, conforto, amor, abrigo. Todo entendimento de mundo da criança vem dos pais (ou da pessoa que cuida dela). Uma criança bem alimentada, amada e cuidade vai aprender a confiar no mundo, porém, se ela passar por necessidades, ela vai crescer desconfiada do mundo.


Segundo estágio: autonomia x vergonha e dúvida (entre 2 e 4 anos). Aqui a criança ganha mais controle sobre o seu ambiente e começa a explorá-lo. Os cuidadores da criança precisam criar uma atmosfera segura para que ela possa explorar e encorajá-la. Pais que impeçam essa exploração podem criar crianças inseguras e relutantes. Já o encorajamento de um comportamento auto-suficiente gera um senso de autonomia.


Terceiro estágio: iniciativa x culpa (de 4 a 6 anos). As crianças se tornam mais corajosas e começam a encarar as complexidades de planejamento e a desenvolver senso de julgamento. É a fase mais provável para ela se arriscar, pois ela começa a criar objetivos. Se esses objetivos forem frustrados com frequência ela pode apresentar comportamentos de frustração e agressividade. O ideal é que os pais incentivem as iniciativas de tentar coisas novas, dentro de limites seguros. Se forem desencorajadas elas podem se sentir culpadas com relação a suas necessidades e desejos.


Quarto estágio: diligência x inferioridade (dos 7 aos 13 anos). É quando as crianças começam a aprender a completar tarefas produtivas antes de querer brincar. Elas se tornam mais atentas e responsáveis, além de começar a aprender a dividir e cooperar. Ela começa a compreender espaço e tempo e relações de causa e efeito. Ela cria valores morais e reconhece diferenças culturais e individuais. Algumas começam a se tornar desobedientes e a expressar sua independência. É um estágio crucial para o desenvolvimento da auto-confiança. As crianças que receberem reconhecimento pelas suas realizações vão continuar com as atividades produtivas. Porém, se forem ridicularizadas e punidas pelos seus esforços podem desenvolver sentimento de inferioridade – que pode levá-las a abusar de outras para se livrar desse sentimento. Se não for permitido que desenvolvam seus talentos elas podem desenvolver uma falta de motivação, baixa auto-estima e letargia.


Quinto estágio: identidade x confusão de papel (entre 14 e 24 anos). É a fase do “O que os outros pensam de mim?”. Os adolescentes começam a pensar em possíveis ocupações para a vida adulta, e a desenvolver o senso de identidade sexual. Ele se torna menos impulsivo e começa a pensar mais no bem dos outros. Eles experimentam uma confusão em relação ao seu papel na sociedade conforme tentam entender como se encaixar no mundo dos adultos. A crise dessa fase acontece quando a sociedade insiste que o indivíduo precisa crescer e se tornar alguém esperado. Se eles forem incentivados a explorar e a se encontrarem, eles ganharão um forte senso de identidade. Pessoas presas nessa fase não sabem o seu papel na sociedade e podem lutar contra ela ou tornarem-se reclusas.
Boa parte dos romances YA (para jovens adultos) são sobre protagonistas nessa fase da vida cheia de conflitos.


Sexto estágio: intimidade x isolamento (dos 19 aos 40 anos). Quando a pessoa forma sua personalidade ela começa a criar laços e a se comprometer em relacionamentos. Elas começa a fazer sacrifícios e experimentar desafios como casamento, fidelidade, filhos, trabalho, doenças.
É um estágio que incorpora boa parte dos livros adultos. Compormeter-se com outros e sacrificar suas necessidade por eles é um grande tema para histórias.
Note que o começo desse estágio não é necessariamente após o fim do anterior. Ele pode começar enquanto a pessoa ainda está em busca da própria identiade.


Sétimo estágio: geratividade x estagnação (dos 40 aos 65 anos). É quando a pessoa começa a se perguntar “Eu vou produzir algo de valor durante a minha vida?”. Ela olha para a próxima geração. O foco não está mais apenas em criar os filhos, mas em preparar a próxima geração para serem cidadãos responsáveis e que façam a sociedade melhor. Em contraste, se o indivíduo tiver se tornado egoísta ele é tomado pela estagnação.


Oitavo estágio: integridade x desespero (dos 65 anos até a morte). Aqui surge a questão “Eu vivi uma vida plena?”. Nesse estágio a pessoa tende a desacelerar, bem como a sua produtividade. Ela passa mais tempo refletindo sobre suas realizações e erros. Se ela se sente satisfeita ela desenvolte uma integridade do ego. Caso contrário ela pode se ver como improdutiva e começar a se desesperar, o que pode levar a depressão. As pessoas que tiveram uma vida boa e completa costumam se desesperar menos em face da morte.


Pensar sobre esses estágios podem nos levar a descobrir novos e excitantes meios de criar personagens.

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Sobre Carolina

Carolina
Apaixonada por livros, estudante de Letras e escritora em treinamento.

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3 Comentários

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